A resposta curta é: nem sempre.
Embora os polivitamínicos sejam muito populares entre pessoas acima de 60 anos, as pesquisas mais recentes mostram que eles não são necessários para todos os idosos. Em quem possui uma alimentação equilibrada e não apresenta deficiência de vitaminas ou minerais, os benefícios costumam ser pequenos.
Por outro lado, alguns idosos realmente podem se beneficiar da suplementação, especialmente quando apresentam deficiência nutricional, doenças crônicas, uso de determinados medicamentos ou uma alimentação insuficiente.
Neste artigo, explicamos o que a ciência sabe até o momento.
Este conteúdo é informativo e não substitui orientação individual com profissional da saúde qualificado.
O que é um polivitamínico?
Os polivitamínicos (também chamados de multivitamínicos) são suplementos que combinam diversas vitaminas e minerais em um único comprimido.
Eles geralmente contêm nutrientes como:
- Vitamina A
- Vitaminas do complexo B
- Vitamina C
- Vitamina D
- Vitamina E
- Zinco
- Selênio
- Magnésio
- Cobre
- Cromo
O objetivo é complementar a alimentação, e não substituí-la.
Todo idoso precisa tomar polivitamínicos?
Não.
Os estudos científicos mais recentes mostram que o uso rotineiro de polivitamínicos para todos os idosos não possui benefícios comprovados sobre os principais desfechos de saúde, como aumento da expectativa de vida ou prevenção de doenças graves.
Uma grande revisão publicada em 2025, que reuniu resultados de milhões de participantes, concluiu que:
- não houve redução da mortalidade;
- não houve prevenção consistente de doenças cardiovasculares;
- não houve prevenção consistente de diversos tipos de câncer;
- os benefícios variam bastante conforme a idade, o estado nutricional e a condição de saúde de cada pessoa.
Isso significa que a suplementação deve ser individualizada, em vez de ser recomendada para todos.
Existem benefícios para a memória?
Possivelmente, sim.
Uma das descobertas mais interessantes dos últimos anos envolve a saúde do cérebro.
Em um grande estudo clínico com mais de 3.500 idosos, aqueles que utilizaram um polivitamínico diariamente durante três anos apresentaram uma melhora discreta na memória episódica quando comparados ao grupo placebo.
Os pesquisadores estimaram que esse benefício correspondeu aproximadamente a retardar cerca de três anos do declínio natural da memória relacionado ao envelhecimento.
É importante destacar que:
- a melhora foi modesta;
- não houve melhora significativa em todas as funções cognitivas;
- o suplemento não previne demência nem doença de Alzheimer.
Portanto, embora os resultados sejam promissores, eles ainda não justificam recomendar polivitamínicos para todos os idosos apenas com o objetivo de preservar a memória.
Polivitamínicos previnem infarto, AVC ou câncer?
Até o momento, não existem evidências suficientes para afirmar isso.
A Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos (USPSTF), um painel independente de especialistas em medicina preventiva que avalia evidências científicas sobre prevenção de doenças, concluiu que:
- não há evidências suficientes para recomendar polivitamínicos na prevenção de doenças cardiovasculares;
- também não há evidências suficientes para recomendar seu uso para prevenir câncer.
Além disso, alguns suplementos específicos merecem atenção.
Quando um idoso pode precisar de suplementação?
Em vez de indicar um polivitamínico para todos, atualmente a estratégia mais recomendada é identificar deficiências específicas.
As situações em que isso é mais comum incluem:
- alimentação pouco variada;
- ingestão calórica muito baixa (menos de aproximadamente 1.500 kcal por dia);
- idosos institucionalizados;
- doenças que dificultam a absorção de nutrientes;
- uso prolongado de alguns medicamentos;
- perda de peso involuntária;
- fragilidade ou desnutrição.
Nesses casos, a suplementação costuma trazer mais benefícios do que um polivitamínico genérico.
Quais vitaminas merecem mais atenção nos idosos?
Vitamina D
A deficiência de vitamina D é extremamente comum na terceira idade.
Ela ocorre com maior frequência em pessoas que:
- permanecem pouco tempo ao sol;
- vivem em instituições de longa permanência;
- apresentam osteoporose;
- possuem risco aumentado de quedas e fraturas.
Em muitos desses pacientes, a suplementação é recomendada pelo médico.
Vitamina B12
A deficiência de vitamina B12 também é bastante frequente.
Com o envelhecimento, o estômago produz menos ácido, dificultando a absorção da vitamina presente nos alimentos.
O risco é ainda maior em pessoas que utilizam medicamentos como:
- metformina;
- omeprazol;
- pantoprazol;
- esomeprazol;
- outros inibidores da bomba de prótons.
Quando existe deficiência confirmada, a suplementação costuma ser bastante eficaz.
Ferro
A deficiência de ferro pode ocorrer principalmente em idosos com doenças crônicas ou alimentação inadequada.
No entanto, o ferro nunca deve ser suplementado por conta própria, pois seu excesso também pode causar problemas.
O ideal é realizar exames antes de iniciar o tratamento.
Magnésio
A deficiência de magnésio pode ocorrer principalmente em idosos institucionalizados ou em pessoas com determinadas doenças.
Assim como acontece com o ferro, a suplementação deve ser orientada por um profissional de saúde.
Folato e tiamina
Essas vitaminas podem ser indicadas em situações específicas, como:
- alcoolismo;
- desnutrição;
- algumas doenças cardiovasculares;
- determinadas condições clínicas.
Alimentação continua sendo a melhor fonte de vitaminas
Mesmo quando existe indicação de suplementos, eles não substituem uma alimentação saudável.
Uma dieta rica em:
- frutas;
- verduras;
- legumes;
- feijões;
- cereais integrais;
- leite e derivados;
- carnes magras;
- peixes;
- oleaginosas
continua sendo a maneira mais segura e eficiente de obter vitaminas e minerais.
Além disso, esses alimentos fornecem fibras, antioxidantes e centenas de compostos benéficos que não estão presentes em um comprimido.
Conclusão
Os polivitamínicos não são uma necessidade para todos os idosos.
As melhores evidências científicas mostram que eles não aumentam a expectativa de vida nem previnem, de forma consistente, doenças cardiovasculares ou câncer. Entretanto, alguns estudos sugerem um pequeno benefício para a memória em idosos, embora esse efeito ainda seja limitado.
Hoje, a estratégia considerada mais adequada é identificar as necessidades individuais de cada pessoa. Em muitos casos, faz mais sentido corrigir uma deficiência específica, como vitamina D ou vitamina B12, do que utilizar um polivitamínico de forma indiscriminada.
Antes de iniciar qualquer suplemento, converse com um médico ou nutricionista. Uma avaliação individual permite escolher o tratamento mais adequado e evitar tanto deficiências quanto o consumo desnecessário de vitaminas.
Perguntas frequentes (FAQ)
Todo idoso precisa tomar polivitamínico?
Não. A maioria dos idosos com alimentação equilibrada não precisa de um polivitamínico de rotina.
Polivitamínicos melhoram a memória?
Alguns estudos mostraram uma pequena melhora da memória em idosos, mas eles não previnem demência nem doença de Alzheimer.
Polivitamínicos previnem câncer?
Não há evidências suficientes para afirmar que polivitamínicos previnem câncer.
Polivitamínicos evitam infarto e AVC?
Até o momento, os estudos não demonstraram benefício consistente na prevenção dessas doenças.
Quais vitaminas costumam faltar em idosos?
As deficiências mais comuns envolvem vitamina D e vitamina B12. Ferro, magnésio, folato e tiamina também podem estar reduzidos em grupos específicos.




